No passado dia 5 e dia 6 de Janeiro, elementos da Direcção da COREMA deslocaram-se às antigas Minas de Covas com o objectivo de se inteirarem “in situ” da intervenção que está a ser desenvolvida pela Empresa de Desenvolvimento Mineiro, SA (EDM), desde o final do ano passado. No primeiro dia estivemos acompanhados do Presidente da Junta de Freguesia de Covas, de responsáveis da empresa de construção civil que está a realizar a intervenção e de elementos da população residente. No segundo dia, juntaram-se os Técnicos da EDM responsáveis pelo projecto de recuperação e elementos da empresa encarregada de fiscalizar os trabalhos, todos presentes na reunião que se realizou nos estaleiros da obra. Uns dias mais tarde abordamos uma técnica da empresa que está a monitorizar a qualidade da água do Ribeiro do Poço Negro e a água que escorre a céu aberto na área da intervenção em curso. Na semana passada tivemos uma reunião na sede da Junta de Freguesia de Covas para a análise mais detalhada do projecto de execução da “Recuperação Ambiental das Antigas Áreas Mineiras de Covas e Jales”. Este projecto que engloba as minas de Jales (Vila Pouca de Aguiar), dedicando-lhe, no entanto, uma parte menor, está orçamentado em cerca de 6 milhões de euros, 4,7 milhões assegurados pela União Europeia.
Recordamos, em seguida, algumas das acções que a COREMA empreendeu no sentido de denunciar e forçar a resolução do gravíssimo problema gerado pelo passivo ambiental que estas antigas minas deixaram, com consequências letais para o Ribeiro do Poço Negro e para o Rio Coura. O Ribeiro do Poço Negro chegou a apresentar um pH com o valor de 2,6 (água completamente ácida).
Já antes da constituição da COREMA (em 1988), alguns dos elementos que estiveram na base da sua criação acompanharam as várias sessões do julgamento que decorreu no Tribunal da Comarca de Vila Nova de Cerveira em Setembro de 1984 – terá sido o 1º julgamento realizado num tribunal português respeitante à contaminação do meio hídrico – e em que a empresa Geomina, Lda. foi acusada pelo Ministério Público de envenenar a água do rio Coura e estar na origem das diversas mortandades de peixes ocorridas até então. Foi condenada ao pagamento de uma multa de 90 mil escudos pela prática de dois crimes: de envenenamento da água do Rio Coura e por negligência.
Perante uma nova mortandade de peixes do Coura, a COREMA fez uma denúncia pública através da publicação, em 27/06/1990, de um comunicado intitulado “Rio Coura – a morte veio do fundo”.
Em 17/08/1990 conseguimos que o semanário “O Jornal” publicasse uma reportagem de uma página, com o título “Minas mortas ainda matam”.
Em 13/12/1990 a COREMA logrou trazer as entidades que a seguir se mencionam ao Ribeiro do Poço Negro e às minas abandonadas, e tivessem produzido um relatório:
●Direcção- Geral de Geologia e Minas
●Comissão de Coordenação da Região do Norte
●Empresa concessionária
●Câmara Municipal de Caminha
●Câmara Municipal de Vila Nova de Cerveira
●Junta de Freguesia de Covas
●Junta de Freguesia de Vilar de Mouros
● Direcção Regional da Hidráulica do Douro
● Capitania do Porto de Caminha
● COREMA
● SNPRCN (visitou o local posteriormente)
A COREMA incluiu este assunto na ordem de trabalhos da 6ª, 7ª e 9ª reunião do Conselho de Bacia do Minho, respectivamente, em 12/11/1996, 02/04/1997 e 21/11/1997, tendo alcançado o compromisso de o tema ser analisado superiormente, com a possibilidade de o Estado proceder à recuperação e selagem das antigas minas de Covas.
Em Janeiro de 2001, a COREMA voltou a denunciar na comunicação social a contaminação do Rio Coura com origem nas minas.
Em 13/12/2004, conseguimos que o Jornal de Notícias tivesse dedicado duas páginas ao tema da poluição do Rio Coura pelas minas de Covas, publicando um artigo com o título “Coura poluído por antigas minas”.
Acompanhámos, em anos posteriores, as várias visitas efectuadas ao local por deputados e dirigentes do PAN, do Partido Ecologista “Os Verdes”, do Bloco de Esquerda e da Iniciativa Liberal, resultando dessas visitas a apresentação de requerimentos na Assembleia da República, questionando os Governos em funções sobre a sua actuação perante tão grave passivo ambiental.
A contaminação do Rio Coura e dos ecossistemas a ele associados foi sempre uma preocupação da COREMA ao logo de 38 anos, cujos membros se deslocaram, vezes sem conta, ao Ribeiro do Poço Negro e às escombreiras das antigas minas (grandes depósitos com 310 000 m3 de estéreis finos impregnados de substâncias químicas fortemente poluentes resultantes da extracção e lavagem do minério). Depois do logro que constituiu a intervenção realizada em 2007/2008 com o propósito da recuperação ambiental da zona degradada desta antiga exploração mineira, tendo deixado tudo praticamente na mesma, acreditamos que a intervenção actual venha a resolver, pelo menos em parte, o problema. Com a redução do potencial de geração de águas ácidas e a optimização do tratamento dos lixiviados iremos assistir a uma diminuição da contaminação do solo, das linhas de água sobranceiras e do Rio Coura. Regozijamo-nos, por isso, com a obra que está a ser efectuada e que, embora o seu término seja no final do corrente ano, o acompanhamento e a monitorização terão que permanecer para sempre. Porém, não estamos suficientemente esclarecidos em relação às intervenções que importa realizar no capítulo da recuperação paisagística e da renaturalização da zona. Acreditamos que seja possível acrescentar e melhorar alguns aspectos atinentes a essa recuperação e à integração na paisagem e queremos, junto da responsável da obra, aprofundá-los e fazer chegar os nossos contributos juntamente com os moradores e a Junta de Freguesia de Covas. Continuaremos a acompanhar esta intervenção, sempre na perspectiva de a melhorar. Sentimos, agora, mais do que nunca, que a nossa persistência terá contribuído para este desfecho que sempre defendemos. Consideramos que a recuperação ambiental das antigas minas de Covas em curso constitui uma boa notícia para o Ambiente e para o Alto Minho.