A Direcção da COREMA está profundamente consternada com o falecimento do Sr.
Octávio Alberto Lourenço Pires, um associado e um activista pela defesa apaixonada
dos valores ambientais e patrimoniais do concelho de Caminha e do Alto Minho, e em
especial da Serra d’Arga, de onde era natural e residia. Há cerca de uma semana
acompanhou-nos numa visita à serra, com 30 alunos e 4 professores (entre os quais a
Directora) do Colégio Alemão do Porto, tendo, uma vez mais, usado os seus
profundos conhecimentos sobre a história, a etnografia, a toponímia e a biodiversidade
da Serra d’Arga para enriquecer a visita de estudo do Colégio Alemão do Porto. A
Arga perde, assim, uma figura de referência e a COREMA um elemento activo e
verdadeiramente entusiasmante.
Em homenagem à sua memória, resta-nos continuar a defender a sua “jóia da coroa”,
que era a Serra d’ Arga, e apresentar sentidas condolências a toda a sua família.
ATÉ SEMPRE E OBRIGADO AMIGO OCTÁVIO PIRES!
A Direcção
da
COREMA
Exposição organizada pela Pesqueiras-Associação do rio Minho/Projeto
Raízes e a Asociación do rio Miño Ignácio Gago (Arbo) com o apoio do
Município de Melgaço.
Constituem parte da exposição 30 fotografias do fotógrafo Luis Borges no
âmbito de um trabalho desenvolvido pelo Projeto Raízes com a Associação
de Pescadores das Pesqueiras do rio Minho, 7 fotografias muito antigas,
algumas do início do século XX, que retratam a ligação das populações de
Arbo ao rio Minho e à pesca nas pesqueiras e um conjunto de 16 painéis que
constituem o Plano Del rio Miño da Comisión Internacional d e Limites entre
Espanha e Portugal datado de 1898, onde estão sinalizadas as pesqueiras
dos dois lados do rio até quela data. Estes últimos pertencentes à
Asociación do rio Miño Ignácio Gago (Arbo).
Integram, também, esta exposição um conjunto de esculturas do artesão de
Arbo, Vicente López Martinez.
O rio Minho marca a identidade das gentes de Melgaço e Arbo e a ele estão
ligadas as principais atividades que foram, durante anos, as suas fontes de
sobrevivência. O rio era rico em espécies que ainda hoje fazem as delícias
gastronómicas, com destaque para o salmão, sável, savelha e, sobretudo,
lampreia. Face a esta enorme variedade piscícola que o rio oferecia, a
população foi utilizando os seus recursos e a sua própria topografia para
construir armadilhas de pesca em pedra ao longo das suas margens: as
pesqueiras do rio Minho. Habilidosos sistemas de muros construídos a partir
das margens, que se assumem como barreiras à passagem do peixe
obrigando o a fugir pelas pequenas aberturas (caneiros) através das quais
acaba por ser apanhado em engenhosas armadilhas: as redes de botirão.
Também é usada a arte da cabaceira, sobretudo para os peixes de escama.
As pesqueiras, umas milenares e outras centenárias, pressupõem um
conhecimento profundo do rio, dos caudais, das correntes e das artes de
pesca mais indicadas conforme a profundidade das águas. Constituem um
bom exemplo da relação establecida entre o meio físico e o social, um
marco histórico cultural que prova bem os usos e costumes de um povo,
nomeadamente na arte de armar a pesca.
Pela sua importância social, económica e patrimonial, a Pesca nas Pesqueiras
do Rio Minho foi inscrita, em Portugal, no Inventário Nacional do Património
Cultural Imaterial em 2022.
Aguardam a sua inscrição no lado Espanhol…
A COREMA participou na concentração/manifestação de protesto contra a exploração mineira de lítio em Covas do Barroso (Boticas) no dia 18/01/2025 e, no final da jornada, tomou parte na reunião aí realizada entre os movimentos e organizações não-governamentais de ambiente.
A propósito da nossa participação nestas iniciativas, redigimos o seguinte comunicado:
Estamos totalmente solidários com luta da população de Covas do Barroso, que também é nossa. A exclusão do sítio Serra d’ Arga, no Alto Minho, do programa de mineração do Governo anterior não pôs um ponto final na nossa acção. A Corema continuará a bater-se para que não aconteça tão grave atentado ao ambiente, ao património cultural, às economias locais e à vida das populações das regiões que constam dos planos governamentais de mineração, como é o caso da região de Covas do Barroso. Continuaremos mobilizados contra o desastre ambiental e social que querem impor a Boticas, a Montalegre, à Guarda-Mangualde, a Almendra, a Argemela, a Barca d’ Alva e a Felgueiras. É, de facto, de um desastre ambiental que se trata quando falamos de extracção de lítio e de outros minerais. A indústria extractivista que, contrariamente, àquilo que nos querem vender, não pertence ao futuro, mas ao passado, um passado que não queremos reeditar e com o qual somos ainda hoje obrigados a conviver através dos múltiplos passivos ambientais que resultaram da exploração mineira, originando uma herança terrível de miséria humana, de poluição e contaminação do solo e dos recursos hídricos.
Não existe uma transição energética sustentável quando ela é realizada à custa da destruição das nossas florestas (que são sumidouros de carbono), da perda de biodiversidade, quando contaminamos os recursos hídricos (cada vez mais escassos), quando comprometemos a qualidade do ar e a saúde dos residentes e desprezamos as populações e o seu espaço natural.
Trata-se de realizar uma ponderação entre o interesse ambiental e o interesse da exploração de lítio e de outros minerais associados. Portugal detém, apenas, 3% das reservas mundiais de lítio, que é muito pouco concentrado e que, em grande parte dos locais, existe disperso e em percentagens muito reduzidas. Portugal nunca poderá competir com as extensões territoriais de países como o Chile e a Austrália. A indústria automóvel já admite que o lítio é transitório e a Comissão Europeia considera-o uma matéria-prima crítica. A análise de que a aposta no lítio é uma aposta num material que vai ser substituído num futuro nada longínquo ganha cada vez mais defensores. A exploração de lítio é um projecto que estrategicamente não é interessante, e gera um impacte muito severo e desproporcionado em relação aos ganhos. Para além de ser altamente destrutivo para o Ambiente consume muita energia. Afirmar que o lítio é essencial para a descarbonização da economia, não passa de uma falácia, assentando num modelo que em termos de sustentabilidade ambiental é um verdadeiro logro. Para além da candura e da bondade com que é apresentada, esta descarbonização anunciada esconde uma poderosa pirâmide de interesses e enganos, que ocultam os pesadíssimos estragos que decorrem a montante e a jusante do processo de extracção. No contexto de uma geografia económico-política instável como a que vivemos, será de equacionar a rápida queda em desuso de certas tecnologias (incluindo a utilização do lítio) e a frenética corrida em busca de formas de energia mais abundantes, eficazes e financeiramente mais acessíveis, como será o caso, por exemplo, do sódio.
Estamos perante uma ameaça sem precedentes para o ambiente, o ordenamento do território, o mundo rural e a qualidade de vida das populações, ameaça esta que exige a mobilização e a união de todos: autarcas, associações de baldios, associações ambientalistas, culturais, desportivas e recreativas e de toda a população.
Estamos solidários! O Alto Minho está solidário com a luta da população de Covas do Barroso, que continua a ser também a nossa luta!
A Direcção da COREMA
A COREMA está, no início deste ano, envolvida e empenhada em várias actividades, cuja relevância para o futuro queremos aqui partilhar:
– Após ter realizado, em duas datas, colheitas de estacas de camarinhas (corema album), conseguimos reunir nos viveiros “Raiz da Terra”, em Vile (Caminha), 17 400 pés desta planta dunar (11 400 fêmeas e 6 000 machos), com o propósito de aí enraizarem. No próximo mês de Março serão envasados e colocados num outro local com as condições indispensáveis (temperatura e humidade) para serem, no Outono, transferidos para o seu habitat natural, a Mata Nacional do Camarido e a Duna de Moledo. Este projecto, intitulado “Emc2 – Explorar ‘Matos de Camarinha’ da Costa”, visa evitar a extinção da população de camarinhas no concelho de Caminha (há muito extintas noutros concelhos vizinhos do litoral) e nasceu de uma parceria entre a COREMA, o INIAV (Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária), o MARE (Centro de Ciências do Mar e do Ambiente) e o MARE-NOVA (pólo do MARE da Universidade Nova de Lisboa). Conta com o envolvimento da comunidade educativa de Caminha, em especial, da sua população estudantil, e com o apoio da Câmara Municipal de Caminha, da União de Freguesias de Moledo e Cristelo, da “Raiz da Terra” e do Agrupamento dos Escuteiros de Seixas. O INIAV, através da investigadora Dra. Maria Alexandra Abreu Lima, que tem coordenado cientificamente as acções desenvolvidas, está a acordar com a Escola Superior Agrária de Ponte de Lima a possibilidade de alunos de Mestrado do corrente ano lectivo acompanharem a execução deste projecto.
– Por iniciativa da COREMA, foi celebrado um Protocolo entre a QUERCUS, a COREMA e o Município de Caminha com vista à recolha selectiva de rolhas de cortiça, à sua reciclagem e valorização e à troca por árvores autóctones que serão plantadas no concelho de Caminha. O slogan da campanha é: “Reciclar Rolhas, Plantar Árvores – 50 rolhas = 1 árvore”. O seu início, que acontecerá brevemente, será assinalado com a plantação simbólica de um sobreiro no Parque Municipal de Caminha. Em paralelo com esta campanha, e envolvendo as mesmas entidades, estamos a avançar com a execução do projecto “Floresta Comum” e “Aldeias Seguras”, que nesta primeira fase, será desenvolvido nas freguesias de Lanhelas e de Seixas, através da plantação de espécies folhosas autóctones de mais de 5 000 árvores, com a colaboração das respectivas Juntas de Freguesia e do Conselho de Baldios de Lanhelas. A plantação decorrerá até meados do próximo mês de Março, a seguir à limpeza e à preparação do terreno.
Os projectos agora referidos terão um horizonte temporal bastante dilatado, por forma a adquirirem no futuro a sustentabilidade que pretendemos.
A Direcção da COREMA