Corema Caminha

SUBSÍDIO OU PRETEXTO PARA APOUCAR UMA INSTITUIÇÃO?

É curto o historial dos apoios financeiros que a Câmara Municipal de Caminha tem concedido à COREMA, desde a sua fundação (em 1988) até ao presente. No entanto, muito haveria a dizer acerca das razões que explicam os magros subsídios camarários que, com intermitência, lhe têm sido destinados. Constituirá isso uma penalização pelo seu empenhamento na defesa do Ambiente e do Património? Os valores anuais recebidos não implicam o uso de muitos algarismos. Eis os números:

Nos anos compreendidos entre 1989 e 2001, a COREMA recebeu o subsídio de 45 000$00; em 2002 e 2003 recebeu € 250,00 (50 000$00); em 2004, 2005 e 2006, nada recebeu. Agora, a edilidade concedeu uma subvenção de € 100,00 (20 000$00)! Feita a média dos valores atribuídos pelo actual executivo camarário, o resultado (€ 100,00 por ano) não chega sequer a cobrir as despesas de selos do correio. A este propósito é de realçar que o valor mínimo atribuído às restantes associações e colectividades para o ano de 2007 foi de € 250,00. Curiosamente, o subsídio atribuído a entidades com fins recreativos que envolvem o extermínio de espécies animais alcança valores infinitamente mais elevados que o subsídio destinado à COREMA, atingindo, em certos casos, um valor de 15 a 20 vezes superior.

Convém lembrar que não somos um mero de clube de amigos que se encontram aos fins-de-semana, mas antes uma entidade com amplas responsabilidade públicas, e por isso solicitada por diversos órgãos estatais, assim reconhecendo-lhe a utilidade e respeitabilidade, no quadro das instituições da República. A este propósito recordamos, por exemplo, a participação no Conselho Nacional do Ambiente e do Desenvolvimento Sustentável, no Conselho de Bacia do Rio Minho, na Comissão de Acompanhamento do Aterro Sanitário de S. Pedro da Torre e na Comissão Mista de Coordenação do Plano de Ordenamento da Área de Paisagem Protegida de Corno de Bico. Será também de salientar o apoio que lhe é solicitado com frequência pelas escolas e outras entidades. É também à sua sede que, muitas vezes, se dirigem os cidadãos confrontados com situações de graves violações aos seus direitos ambientais e patrimoniais. Para corresponder a estas solicitações, do Estado e dos particulares, a par da nossa regular actividade de vigilância e estudo consagrada na norma estatutária que nos rege, despendemos não só tempo que poderia ser dedicado ao lazer, como recursos elevados.

Consequentemente, só podemos entender este subsídio como uma tentativa para nos amesquinhar, duplicada pela humilhação que decorre da aceitação de € 100,00 numa cerimónia pública, que não passa de uma acção de marketing político, envolvendo despesas várias e a perda de tempo para muitos. Humilhação, e no nosso caso, sobretudo provocação! Somos uma das mais antigas e activas associações de defesa do ambiente do país, com provas dadas quanto à independência relativamente aos poderes e grupos de influência. Não deixando de reclamar os direitos que nos são devidos, não será o estrangulamento financeiro, como está comprovado, que nos vai demover de prosseguir a nossa intervenção cívica na defesa do Ambiente e do Património.


Caminha, 26 de Outubro de 2007


A DIRECÇÃO da COREMA

APELO

Para podermos manter a nossa actividade, apelamos a todos aqueles que se identificam e confiam na acção da COREMA que contribuam com um donativo. Para esse efeito, têm à disposição a conta bancária da associação com N.I.B: 003501950002052183036

Obrigado